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Página pessoal de Paulo Henrique Grilo Domingues dedicada ao tema da

Restauração Ecológica de Ecossistemas Espontâneos.

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O contexto

Porquê praticar restauração ecológica?

A área de execução dos trabalhos

Restauração ecológica mês a mês

Trabalho voluntário

Calendário de trabalhos

Descarga ("download") de documentos

Definição de Restauração ecológica



A Restauração Ecológica é uma actividade intencional que inicia ou acelera a recuperação de um ecossistema no que respeita à sua saúde, integridade e sustentabilidade. (...) A Restauração tenta recolocar um ecossistema na sua trajectória histórica. As condições históricas são portanto o ponto de partida ideal para o plano de restauração. O ecossistema restaurado não recuperará necessariamente o seu antigo estado, dado que as condições e restrições actuais podem fazer com que se desenvolva segundo uma diferente trajectória. [De "Society for Ecological Restoration" (SER)]


Ultima actualização: 26 de Maio de 2006.


O contexto

A regiões norte e centro de Portugal conheceram, desde meados do século XX, um aproveitamento intensivo e extensivo para o cultivo de eucaliptos, o que, em conjunto com um certo número de factores, contribuiu para uma devastação impressionante da paisagem e da biodiversidade que haviam sobrevivido às formas tradicionais de intervenção na paisagem das culturas de subsistência. Os factores que contribuiram para acentuar essa devastação foram a praticamente total ausência de ordenamento, a privatização das terras de usufruto comunal (baldios), o atractivo económico que esse cultivo representou, pelo menos nos primeiros tempos, e o acesso a maquinaria pesada de grande poder de intervenção. A estes factores se juntaram outros mais intrínsecos da espécie cultivada: exótica de crescimento rápido, adaptável a solos pobres, concorrendo agressivamente pela água e nutrientes disponíveis, sujeita a cortes rasos em ciclos curtos (9 a 15 anos). E, não menos importante, vulnerável à ocorrência do fogo.

mobilização do solo em socalcosinvasoras (mimosas) competem com exóticas (eucaliptos) numa terra estranha a ambosA estes factores directamente relacionados com o cultivo há ainda que acrescentar pelo menos mais um agravante: a difusão de espécies exóticas com características invasoras. Principalmente a acácia-mimosa, mas também a acácia-de-espigas ocuparam agressivamente aqueles que eram os mais preciosos dos habitats: os cursos de água.

O resultado de tudo isto foi avassalador: ao longo de quilómetros e quilómetros de extensão não se encontra mais nada senão as monótonas plantações de eucaliptos, um deserto verde-glauco instalado sobre um solo frequentemente pobre, tornado ainda mais esquelético pelas mobilizações de solo a que é sujeito. O matagal, essa formação pioneira que se tinha instalado após a eliminação dos antigos bosques, há muitos séculos, é agora desprezada e culpada dos incêndios, o bastante para ser combatida por todos os meios, e dessa forma se acelerar ainda mais a degradação do solo. As invasoras ocupam agressivamente vales e linhas de água.

A este estado de coisas a maior parte das pessoas reage de forma complacente, uma complacência certamente ancorada no valor económico que as plantações representaram na última metade do sec. XX, mas também seguramente no facto de a consideração pela paisagem, pela biodiversidade, enfim, pela Vida, ter sido corroída pelo sistema de valores dominante.

Porquê praticar restauração ecológica?

Perante a situação descrita no ponto anterior, o que pode fazer quem olha para o contexto que o rodeia como ecologicamente moribundo, paisagisticamente deprimente, dia a dia tornado ainda pior pelas características da intervenção humana? Abandonar tudo e procurar outras paragens? Revoltar-se com a sociedade? Agitar uma bandeira radical? Fazer algo, por pouco que possa ser, para contrariar esse estado de coisas? Pela minha parte, reconheço que algumas vezes fui tentado pelas primeiras, mas sempre acabei por voltar à última. Penso que tem algo a ver com o amor à terra onde se nasceu e se tem raízes, de se gostar dela e de querer fazer algo por ela mesmo que se encontre gravemente enferma. Mas ao fazer esse algo, num lugar onde ninguém acharia que tal valesse a pena, dissipam-se também um certo número de impulsos mais destrutivos e pratica-se uma espécie de terapia que nos torna mais aptos a sobreviver à conturbações do actual momento da civilização.

o encanto das pequenas coisas...... cada dia, cada PrimaveraA acção de restauração ecológica é a mais desinteressada e a menos egocêntrica das acções que um ser humano pode desenvolver com a terra e as criaturas vivas. Requer um investimento de esforço mas o que resulta é um bem livre, essencialmente não apropriável e não lucrativo. A recompensa é poder comungar de todas essas pequenas grandes coisas que só a natureza livre pode dar e que o ser humano optou por desprezar para melhor a poder acorrentar. Quem ainda se comove com o canto matinal de uma ave silvestre? Com o desabrochar efémero de uma pequena flor do monte? Com as cores delicadas de um raio de sol Primaveril através das folhas jovens de um carvalho? Com o canto nocturno de uma coruja? Quem não se comover com essas coisas, é improvável que tenha as energias suficientes para dedicar um esforço significativo ao trabalho de restauração ecológica.

e, quando parecia que já nada mais de novo havia para encontrar... a surpresa!Quem quiser saber mais sobre o trabalho de restauração ecológica que tenho desenvolvido poderá descarregar um ficheiro em formato pdf que contém o texto um documento que escrevi para mais facilmente poder transmitir as características e a razão de ser desse trabalho. Esse documento tem muitas páginas de imagens comentadas. Algumas delas podem também ser descarregadas, mas não todas devido ao espaço que ocupariam. Elas podem depois ser inseridas no documento de texto de acordo com a sua numeração. Omiti algumas das páginas que ilustram espécies. Um prefácio e outros documentos anexos estão também disponíveis. Para passar à página de descarga, clique aqui.

Área geográfica dos trabalhos e sua caracterização

A área de trabalhos é a freguesia de Belazaima do Chão, Concelho de Águeda, Distrito de Aveiro. Os terrenos são de propriedade própria ou cedidos para o efeito pelos respectivos proprietários. Nestes há a incluir um da Junta de Freguesia de Belazaima.

testada de área agrícola, em Belazaimacastanheiro nas margens do Ribeiro de BelazaimaToda a região foi intensamente "eucaliptada" em meados do sec. XX, poucas áreas tendo sido poupadas. As que o foram, essencialmente as testadas de terras agrícolas e as zonas de afloramentos rochosos, apresentam uma biodiversidade consideravelmente elevada, sem paralelo nas zonas plantadas. No entanto elas são, em geral, áreas muito pequenas, e sendo, como todo o espaço, propriedade privada, estão potencialmente sujeitas a vários factores de degradação, entre os quais a simples eliminação (corte para aproveitamento de madeira ou lenha).

A composição dessas áreas é indicativa dos traços dominantes da flora nativa original, que antes da intervenção humana ocupava todo o espaço: um bosque dominado por carvalhos e sobreiros, não sendo estes mais que o extracto superior de formações em que os arbustos, as trepadeiras e as herbáceas abundavam. Nas zonas mais pobres o estrato arbóreo poderia não aparecer sendo então as formações vegetais dominadas pelos arbustos, em particular o medronheiro. A intervenção humana ao longo da história fez desaparecer os bosques, substituindo-os pelo matagal baixo, que era aproveitado como pastagem. Foi sobre este matagal que se fizeram as plantações de eucaliptos.

O trabalho de restauração procura, sempre que possível, partir dessas "ilhas de biodiversidade", protegendo-as e alargando-as. Também o Ribeiro e as suas margens são zonas de particular interesse, embora frequentemente se encontrem maltratadas e ocupadas por plantas invasoras, sobretudo as mimosas. Mas, desde que haja espaço disponível, qualquer área pode ser recuperada, desde que se acolha de braços abertos o que de mais modesto a Vida tenha condições para oferecer.

mimosas e eucaliptos queimados pelo incêndio de 18/11área de vegetação nativa queimada pelo fogo (em primeiro plano, medronheiro)Na madrugada de 18 de Setembro de 2005 um incêndio alimentado por um forte vento queimou em pouco mais que uma noite milhares de hectares entre os Concelhos de Mortágua (onde começou), Águeda e Anadia, ardendo toda a zona sul e leste de Belazaima. Arderam não apenas plantações mas também quase todas as áreas de matagal e medronhal do Cabeço Santo, que são, à escala da freguesia de Belazaima, as mais extensas áreas de vegetação nativa que não foram intensamente intervencionadas desde o fim da economia de subsistência, e que por isso são particularmente ricas em biodiversidade.



a esperança renasce, menos de 3 semanas depois do incêndio (campainhas-de-Outono fotografadas a 7 de OutubroEstão em curso contactos com os respectivos proprietários (entre os quais a empresa Stora Enso - Celbi) no sentido de proteger esses espaços e sobretudo de evitar que as espécies invasoras ganhem terreno no processo de recuperação dos frágeis ecossistemas, após o fogo.

Também uma área de pelo menos 7 hectares de eucaliptal queimado irá ser alvo de trabalhos de restauração ecológica, aí se encontrando um dos principais motivos de apelo ao trabalho voluntário. Os trabalhos consistirão sobretudo na eliminação dos eucaliptos e na plantação de árvores e arbustos de espécies nativas.







Restauração ecológica mês a mês

Janeiromedronheiros em vasoarbustos a germinar em tabuleiro

Plantar árvores e arbustos em vaso do ano anterior. Efectuar desbastes e reparar árvores. Triturar matos onde necessário. Semear em tabuleiro medronheiros, murtas, sabugueiros e loureiros.

Fevereiro

Plantar as árvores germinadas a partir do Outono anterior em alvéolos. Efectuar desbastes. Triturar matos onde necessário.



Marçoopurtunista nº 2!opurtunista nº 1!

Plantar as árvores germinadas a partir do Outono anterior em alvéolos. Triturar matos e silvado em torno das árvores em desenvolvimento. Efectuar fertilizações orgânicas e minerais. Lavar vasos utilizados.

Abril

Plantar as últimas árvores germinadas em alvéolos no Outono anterior. Envasar plantas em germinação em tabuleiro desde o último Outono/Inverno. Controlar invasoras (mimosas).

Maio

Este é o mês por excelência dedicado às observações e à contemplação! Também continua o envasamento de plantas.

Junhoherói salva carvalho de um poderoso cerco de invasores!carvalhos, sobreiros e castanheiros em germinação (Fevereiro)

Podem continuar os trabalhos de controlo das invasoras e de rebentos de eucalipto indesejados.

Julho

Máxima atenção à ocorrência de incêndios! Lavar tabuleiros de alvéolos.

Agosto

Máxima atenção à ocorrência de incêndios! Continuação da lavagem de tabuleiros de alvéolos.

Setembro

Colher os primeiros frutos para extracção de sementes: pilriteiro e sabugueiro. Extrair e semear de imediato as de pilriteiro. Iniciar a apanha de bolotas de carvalho e sobreiro, e de castanhas. Armazená-las em areia húmida.

Outubro

Continuar a apanha e armazenamento de bolotas. Começar a sementeira em alvéolos das que tiverem iniciado a germinação. Colher os frutos de loureiro.

Novembrotudo pronto para a plantação!

Continuar a sementeira em alvéolos de bolotas. Colher medronhos para extracção de sementes. Limpar e verificar caixotes ninho. Começar a plantar no campo os arbustos em vaso.

Dezembro

Semear directamente no campo as restantes bolotas e castanhas. Continuar a colheita de medronhos. Colher frutos de murta e azevinho para extracção de sementes. Continuar a plantação de arbustos em vaso. Semear sementes de azevinho em tabuleiro ou colocá-las em processo de estratificação.

Trabalho voluntário

pequeno vale atingido pelo fogo, que irá ser alvo de trabalhos de restauração ecológicaA ideia de apelar ao trabalho voluntário surgiu na parte final do ano de 2005, após o grande incêndio que atingiu os Concelhos de Águeda, Mortágua e Anadia, e que, inesperadamente, não só deu origem a que algumas áreas de eucaliptal pudessem ser recuperadas, como criou a necessidade de intervenção em áreas antes com vegetação essencialmente nativa mas com grande perigo de expansão das plantas invasoras. Alguns dos trabalhos prementes de serem realizados, como a eliminação de plantas invasoras originadas por germinação de sementes, são bastantes exigentes em mão de obra, embora sejam leves e fáceis de realizar, pelo que são perfeitamente aptos a mão de obra voluntária. Claro, também haverá trabalhos mais exigentes, como a plantação de árvores, mas para esses é necessário contar também com mão de obra não voluntária.

aqui, os trabalhos já começaram!Assim, proponho-me organizar jornadas de trabalho voluntário! Os trabalhos a realizar com recurso a trabalho voluntário são exclusivamente no âmbito das acções de restauração ecológica de ecossistemas espontâneos. São levados a cabo em terrenos de minha propriedade ou de outros proprietários que tenham autorizado esses trabalhos e se tenham comprometido a respeitá-los. Entre estes há a destacar a empresa Celbi, detentora de uma grande propriedade na freguesia de Belazaima, propriedade essa que contém importantes áreas de vegetação espontânea que a empresa se compromete a respeitar e nas quais autoriza a realização de trabalhos de conservação.


Esta página será o elemento de ligação entre mim, o proponente da actividade, e aqueles que pretenderem participar. Anunciarei com a antecedência possível os dias (sempre ao Sábado) e os trabalhos que se prevêm realizar, bem como o número de pessoas que se poderão integrar nesses trabalhos. Os interessados enviar-me-ão uma mensagem, indicando o seu interesse para um dia determinado. Eu confirmarei para o respectivo endereço de correio electrónico a possibilidade de participar. Poderei levar e trazer um máximo de 4 pessoas de Aveiro ou de Águeda (ou de algum outro local entre Aveiro e Belazaima, desde que não implique muitas voltas). A saída será por volta das 8 horas da manhã e o regresso depois do anoitecer ou entre as 19 e as 20 horas, conforme o que ocorrer primeiro. Quem quiser e puder ir lá ter pelos seus próprios meios, pode fazê-lo, é claro, e não tem que necessariamente que se reger por esse horário. Há no entanto que ter em conta que, quando as actividades contam com a contribuição de trabalho não voluntário (isto é, pago), não posso fugir muito de um horário de trabalho "normal", e não poderei abandonar o local de trabalhos para ir esperar ou buscar outras pessoas, mesmo à aldeia. Em Belazaima, o início dos trabalhos é normalmente por volta das 9 horas.

Oferecerei um almoço no campo baseado em especialidades vegetarianas, pão, sumos e fruta da época de origem local. A quem não agradar, terá que trazer de casa, mas nesse caso deve informar-me, para eu não levar em excesso. Também ofereço o lanche, de pão com marmelada ou queijo.

Para se propor participar em acções de trabalho voluntário, informe o seu nome e o dia para o qual se propõe. É importante fazê-lo até à Quarta-feira anterior ao Sábado em que pretende participar. Se não estiver interessado no almoço vegetariano, informe. Diga se necessita de transporte. Em Aveiro, os pontos de encontro são a Estação e a Universidade, junto à Reitoria. Em Águeda, junto à Caixa de Crédito Agrícola Mútuo. Outros pontos poderão ser ponderados, sob pedido. Para se propor participar clique aqui.

Nº de acessos: